quarta-feira, 10 de julho de 2013
quinta-feira, 20 de junho de 2013
Sob presidência de Feliciano, comissão aprova projeto da 'cura gay'
Proposta suspende trecho de resolução que proibe profissionais de tratarem homossexualidade como doença
Via O Estado de S. Paulo
BRASÍLIA - A Comissão de Direitos Humanos da Câmara,
presidida pelo pastor Marco Feliciano (PSC-SP), aprovou nesta
terça-feira, 18, a proposta que suspende trecho da resolução do Conselho
Federal de Psicologia de 1999 que proibiu profissionais da área de
colaborar com eventos e serviços que ofereçam tratamento e cura de
homossexualidade, além de vedar manifestação que reforcem preconceitos
sociais em relação aos homossexuais. Apelidado de "cura gay", o projeto
seguirá ainda para duas comissões antes de ir a plenário.
Veja também:
Conselho Federal de Psicologia lamenta aprovação da 'cura gay'
Comissão da Câmara dá aval para Estatuto do Nascituro
Pedido de vista barra votação de projeto da 'cura gay' em comissão de Feliciano
Ed Ferreira/AE
Bancada evangélica, da qual Feliciano faz parte, tentava aprovar proposta há dois meses
A bancada evangélica tenta aprovar a proposta já há dois meses. Na
sessão de hoje, Feliciano cortou em alguns momentos a palavra do
deputado Simplício Araújo (PPS-MA), o único titular da comissão a se
posicionar de maneira contrária, para evitar que novamente a sessão se
alongasse e o início da ordem do dia no plenário impedisse a aprovação.
Ex-coordenador da bancada evangélica, o deputado João Campos
(PSDB-GO) é o autor do projeto. Ele argumenta que o Conselho extrapolou
suas atribuições restringindo a atuação de profissionais. "O Conselho
Federal de Psicologia, ao restringir o trabalho dos profissionais e o
direito da pessoa de receber orientação profissional, por intermédio do
questionado ato normativo, extrapolou o seu poder regulamentar", diz o
tucano.
O relator, Anderson Ferreira (PR-PE), que também é pastor, destacou
em seu voto que a resolução proíbe ainda os psicólogos de fazerem
manifestações públicas sobre o tema. Para ele, isso seria um cerceamento
à "liberdade de pensamento e de manifestação" dos profissionais. Na
visão do relator, o projeto defende o livre exercício
da profissão de psicólogo. "Seu texto constitui uma defesa da liberdade
de exercício da profissão e mesmo da liberdade individual de escolher
um profissional para atender a questões que dizem respeito apenas à sua
própria vida, sem prejudicar outrem".
Araújo afirmou que a bancada evangélica mobilizou-se para a aprovação
por motivos eleitorais e que a proposta não deve sobreviver à Comissão
de Constituição e Justiça (CCJ) porque não caberia ao Congresso revogar
atos de órgãos de classe. "Hoje temos projetos, que como esse aqui, me
envergonham de estar dentro dessa casa. Estamos perdendo tempo com uma
discussão que vai estar vencida. O que se quer aqui é uma ponte para ganhar
voto", disse Araújo. "Não existe tratamento par ao que não é doença. A
doença que temos de combater é a cara de pau de alguns políticos",
complementou.
A comissão de Direitos Humanos aprovou ainda um requerimento para
promover um debate sobre "a erotização das nossas crianças através de
imagens, de músicas nos meios de comunicações, cartilhas educativas e
demais exposições".
segunda-feira, 10 de junho de 2013
Só 150 deputados são fiéis à presidente Dilma Rousseff.
Por JOSÉ ROBERTO DE TOLEDO - O
Estado de S.Paulo
O governo, através de seu líder,
Arlindo Chinaglia (PT-SP), calcula que só 150 deputados são fiéis à presidente
Dilma Rousseff. É menos de 30% da Câmara. Parece pouco, mas é muito. O
Basômetro mostra que a fidelidade canina à presidente é menor. Bem menor.
No seu primeiro ano de governo,
Dilma podia contar com 306 deputados federais e 37 senadores em nove de cada
dez votações de interesse do governo no Congresso. Em 2013, esse "núcleo
duro" de apoio está reduzido a 103 deputados e 31 senadores. Só dois de cada
três contabilizados por Chinaglia são mesmo fiéis.
"Identidade ideológica e
política com o governo"? Ok, mas pode chamar de petista: dos 103 deputados
que votaram 90% das vezes ou mais a favor do governo este ano, 79 são do PT. Os
outros raros 24 se dispersam entre PMDB, PP, PTB, PR, PC do B, PV, PSC, PDT e
DEM (sic). Nenhum do PSB. Nenhum do PSD.
Em 10 anos de dinastia petista, o
"núcleo duro" nunca foi tão pequeno. De uma bola de futebol em 2011,
virou uma bolinha de tênis em 2013. Nem na crise do mensalão, em 2005, o
coração do lulopetismo pulsou tão fraco no Congresso. Por quê?
"Talvez Lula dedicasse maior
tempo ao contato com as lideranças políticas. E Dilma talvez dedique menos
tempo a esse tipo de ação", especula Arlindo Chinaglia. Talvez?
É certo que Dilma não gasta seu
tempo como Lula. Não é certo que essa seja a raiz da crise na base governista.
Crise? Que crise?
Dilma perdeu três de 36 votações
nominais na Câmara este ano - metade do que perdeu em 2012. Perder nunca é bom,
mas três derrotas não configuram uma crise. A crise é a ameaça permanente de
crise.
Políticos farejam oportunidades
de aumentar seu poder tão rapidamente quanto tubarões percebem sangue num
aquário. Um governante ferido é uma fonte irresistível de proteína para as
ambições dos selachimorphae brasilienses. E Dilma está ferida?
Mesmo após perder 8 pontos no
Datafolha desta semana, a presidente ainda tem mais popularidade do que
qualquer antecessor na mesma altura do mandato. Mas o que vale é a perspectiva
de poder, não o passado. Os adversários e aliados de ocasião olham para frente
e enxergam um filete vermelho.
O cheiro de sangue percebido
pelos tubarões do Congresso vêm de duas fontes: 1) sinais de que a inflação e o
pibinho devem se estender até o ano eleitoral de 2014; 2) pesquisas anteriores,
não divulgadas, que já apontavam menor apoio popular à presidente. Isoladas,
significam pouco. Juntas, dão margem às oscilações da base governista que
alavancam Cunhas e Eduardos.
Para sangrar o governante, os
tubarões não precisam impingir derrotas sucessivas. Basta criar a expectativa
da derrota. Foi o que aconteceu com Dilma na interminável votação da MP dos
Portos: o governo ganhou, mas de forma tão sofrida que reforçou a imagem de
fragilidade. É o mesmo roteiro que o líder do PMDB, Eduardo Cunha, ameaça
repetir na votação dos vetos presidenciais.
Em 2011, 67 deputados do PMDB
irrigavam o coração do apoio a Dilma na Câmara: votaram mais de 90% das vezes
com a presidente. Em 2013, os 67 viraram 8, e nenhum dos que eram 100% Dilma no
primeiro ano do governo continua no "núcleo duro" do dilmismo. A
criação de dificuldades para venda de facilidades explica boa parte da mudança
de comportamento peemedebista.
Não é o mesmo caso do PSB de
Eduardo Campos. Quando ele era só o governador de Pernambuco, o PSB tinha 92%
de governismo e 26 de seus 30 deputados integravam o "núcleo duro" de
apoio a Dilma na Câmara. Em 2013, com Campos presidenciável, a taxa média de
governismo do partido desabou para 75% e nenhum deputado socialista permanece
no clube dos fiéis à presidente.
Comercialização de facilidades e
fricções eleitorais só tendem a aumentar. Junho terá mais pesquisas sobre a
popularidade da presidente. Outra queda equivaleria a sangue na água - com
potencial de deflagrar uma espiral muito mais desagradável para Dilma do que as
turbulências do avião presidencial.
domingo, 26 de maio de 2013
Estudo revela experiências de escolas de tempo integral
AE - Agência Estado
Ainda raridade nas redes públicas, o número de escolas
de tempo integral tem crescido após o Plano Nacional de Educação - em
trâmite no Congresso - prever que, até 2020, metade das escolas amplie a
jornada escolar diária para o mínimo de sete horas. Mas, em muitos
casos, o aumento da carga horária é o único ponto que une essas
experiências dispersas pelo Brasil. O currículo, a divisão do horário e
até o espaço onde as atividades são realizadas variam muito de município
para município e até de escola para escola.
É o que mostra a publicação apresentada na terça-feira (02) pela
Fundação Itaú Social, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef)
e o Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação
Comunitária (Cenpec). Em destaque, 20 experiências que podem ser
referência tanto na organização do tempo e do espaço como na formação
dos profissionais e no monitoramento e avaliação do programa.
Achados
Em Piraí (RJ), os alunos do 5.º ao 9.º ano do fundamental passaram a
ter aulas de duas horas antes e depois do intervalo, o que permitiu
outro ritmo de aprendizagem, com mais tempo para a mesma disciplina.
Em Betim (MG), o destaque é o trabalho integrado de 12 secretarias
municipais. A de Planejamento, por exemplo, computa em seu orçamento
gastos com locação de espaços para atividades externas dos alunos. A de
Esportes contemplava em seu quadro os profissionais para atuar em
oficinas nas escolas ou centros conveniados.
Em Santos, o destaque é o trabalho de monitoramento e avaliação do
programa de educação integral. No município do litoral paulista, a
avaliação é feita três vezes ao ano por elas próprias, pelos professores
e monitores.
"As avaliações mostram que os que mais se beneficiam da educação
integral são os de piores condições socioeconômicas. Logo, ela é
fundamental para a equidade. E, a equidade, com a garantia de que todos
estão aprendendo, é condição para o desenvolvimento do País", resume
Isabel Santana, gerente de Educação e Avaliação da Fundação Itaú Social.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Ministro Manoel Dias abre reunião sobre Aprendizagem
O ministro do Trabalho e Emprego,
Manoel Dias, abriu na manhã de quinta-feira (23), a 1ª reunião
ordinária do Fórum Nacional de Aprendizagem Profissional (FNAP), que
ocorreu na auditório do MTE, em Brasília.
O encontro tem por objetivo aprovar o Plano Nacional de Aprendizagem Profissional (PNAP), documento que vai servir de diretriz à política nacional de aprendizagem no biênio 2012/2013.
O ministro destacou o papel da Aprendizagem Profissional para o desenvolvimento do país, “de forma igualitária e justa”, ressaltando a importância da aprendizagem como alternativa para os jovens em situação de vulnerabilidade social.
“Considero esse programa (PNAP) como um dos mais importante que o Governo vem desenvolvendo atualmente. Essa juventude que aí está não terá outra alternativa para sair da situação de exclusão social a não ser por intermédio da qualificação profissional”, afirmou.
Manoel Dias ressaltou a “retomada” do papel do MTE no tocante à aprendizagem profissional, afirmando que não medirá esforços para fazer do PNAP uma ação prioritária, uma vez que considera o Plano de “fundamental importância” para a criação de oportunidades para as novas gerações:
“O Brasil só será um país justo na medida em que criarmos oportunidades para que as gerações excluídas possam sentir que podem participar desse progresso, auxiliando na transformação do país em uma grande potência”, avaliou o ministro.
FNAP – O Fórum Nacional é composto por representantes dos ministérios do Trabalho e Emprego e da Educação, Ministério Público do Trabalho e Secretaria Nacional da Juventude (SNJ), além de representantes da sociedade civil organizada (Sistema S, Sindicatos e organizações não governamentais em geral).
Entre suas ações destacam-se a regulamentação da aprendizagem no âmbito da Administração Direta; intermediação de mão-de-obra; atualização permanente da divulgação dos dados da RAIS e CAGED para monitoramento do crescimento das contratações e articulações no âmbito do próprio MTE e no âmbito do Governo Federal; o apoio ao Microcrédito Produtivo Orientado (PNMPO/MTE), na inclusão de grupos em situação de vulnerabilidade social (pessoas com deficiência e etc.), e apoio às pequenas empresas e na expansão e interiorização da Aprendizagem Profissional.
O encontro tem por objetivo aprovar o Plano Nacional de Aprendizagem Profissional (PNAP), documento que vai servir de diretriz à política nacional de aprendizagem no biênio 2012/2013.
O ministro destacou o papel da Aprendizagem Profissional para o desenvolvimento do país, “de forma igualitária e justa”, ressaltando a importância da aprendizagem como alternativa para os jovens em situação de vulnerabilidade social.
“Considero esse programa (PNAP) como um dos mais importante que o Governo vem desenvolvendo atualmente. Essa juventude que aí está não terá outra alternativa para sair da situação de exclusão social a não ser por intermédio da qualificação profissional”, afirmou.
Manoel Dias ressaltou a “retomada” do papel do MTE no tocante à aprendizagem profissional, afirmando que não medirá esforços para fazer do PNAP uma ação prioritária, uma vez que considera o Plano de “fundamental importância” para a criação de oportunidades para as novas gerações:
“O Brasil só será um país justo na medida em que criarmos oportunidades para que as gerações excluídas possam sentir que podem participar desse progresso, auxiliando na transformação do país em uma grande potência”, avaliou o ministro.
FNAP – O Fórum Nacional é composto por representantes dos ministérios do Trabalho e Emprego e da Educação, Ministério Público do Trabalho e Secretaria Nacional da Juventude (SNJ), além de representantes da sociedade civil organizada (Sistema S, Sindicatos e organizações não governamentais em geral).
Entre suas ações destacam-se a regulamentação da aprendizagem no âmbito da Administração Direta; intermediação de mão-de-obra; atualização permanente da divulgação dos dados da RAIS e CAGED para monitoramento do crescimento das contratações e articulações no âmbito do próprio MTE e no âmbito do Governo Federal; o apoio ao Microcrédito Produtivo Orientado (PNMPO/MTE), na inclusão de grupos em situação de vulnerabilidade social (pessoas com deficiência e etc.), e apoio às pequenas empresas e na expansão e interiorização da Aprendizagem Profissional.
quinta-feira, 16 de maio de 2013
A “reinvenção” do trabalho escravo
Por Leonardo Sakamoto, em seu blog:
A cada ano, milhares de trabalhadores pobres são recrutados para trabalhar em fazendas, carvoarias, canteiros de obras e oficinas de costura e, posteriormente, submetidos a condições degradantes de serviço ou impedidos de romper a relação com o empregador. Não raro, permanecem sem poder se desligar do empregador até que terminem a tarefa para a qual foram aliciados, sob ameaças que vão de torturas psicológicas a espancamentos e assassinatos. No Brasil, essa forma de exploração é chamada de trabalho análogo ao de escravo, escravidão contemporânea ou nova escravidão, prevista como crime no Código Penal (artigo 149), com pena de dois a oito anos de reclusão.
A cada ano, milhares de trabalhadores pobres são recrutados para trabalhar em fazendas, carvoarias, canteiros de obras e oficinas de costura e, posteriormente, submetidos a condições degradantes de serviço ou impedidos de romper a relação com o empregador. Não raro, permanecem sem poder se desligar do empregador até que terminem a tarefa para a qual foram aliciados, sob ameaças que vão de torturas psicológicas a espancamentos e assassinatos. No Brasil, essa forma de exploração é chamada de trabalho análogo ao de escravo, escravidão contemporânea ou nova escravidão, prevista como crime no Código Penal (artigo 149), com pena de dois a oito anos de reclusão.
domingo, 5 de maio de 2013
Joaquim Barbosa vê ausência de pluralismo na mídia brasileira
Por JOÃO BRANT
O JornalGGN sugere, para a leitura da matéria, que o leitor tome as seguintes referências:
1) Houve uma grande aproximação entre o presidente do STF,
Joaquim Barbosa, e a grande imprensa, desde o início do julgamento da AP
470, o chamado mensalão, embora a personalidade do ministro não tenha
subtraído dessas relações conflitos pontuais com repórteres ou mesmo com
o tratamento de jornais a determinados temas;
2) É interessante como Barbosa separa a análise do tratamento
jurídico do País à liberdade de imprensa e a sua visão sociológica pelo
tema, mediada pela questão racial (pequena presença de negros na
imprensa) e pela ideologia (pouca diversidade). É uma visão que
reconhece que o universo das leis nem sempre anda no mesmo passo da
sociedade. A Constituição de 1988 foi progressista em relação à
liberdade de expressão e dos direitos fundamentais, mas a estrutura
judicial e a imprensa são conservadores em relação a elas: o preconceito
dificulta a produção de justiça e o pluralismo.
(Da Redação do Jornal GGN)
Em discurso no evento de comemoração do Dia Mundial da Liberdade de
Imprensa, realizado pela Unesco, na Costa Rica, no dia 3 de maio, o
presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, afirmou que a
mídia brasileira é afetada pela ausência de pluralismo. Ressaltando que
neste ponto falava como acadêmico, e não como presidente do STF, ele
avaliou que esta característica pode ser percebida especialmente pela
ausência de negros nos meios de comunicação e pela pouca diversidade
política e ideológica da mídia.
A apresentação do presidente do STF se deu em quatro partes voltadas a apresentar uma perspectiva multifacetada sobre liberdade de imprensa. Na abertura, reafirmou o compromisso da corte e do país com a liberdade de expressão e de imprensa, e ressaltou que
A apresentação do presidente do STF se deu em quatro partes voltadas a apresentar uma perspectiva multifacetada sobre liberdade de imprensa. Na abertura, reafirmou o compromisso da corte e do país com a liberdade de expressão e de imprensa, e ressaltou que
uma imprensa livre, aberta e economicamente sólida é o melhor
antídoto contra arbitrariedades. Barbosa lembrou a ausência de censura
pública no Brasil desde a redemocratização em 1985.
Na segunda parte, o ministro apresentou como o tema é tratado na Constituição de 1988, que pela primeira vez reservou um capítulo específico para a comunicação. Segundo Barbosa, no sistema legal brasileiro nenhum direito fundamental deve ser tratado como absoluto, mas sempre interpretado em completa harmonia com outros direitos, como privacidade, imagem pessoal e, citando textualmente o texto constitucional, “o respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família”. Nesse sentido, ressaltou o ministro, o sistema legal brasileiro relaciona a liberdade de expressão com a responsabilidade legal correspondente. “A lei se aplica a todos e deve ser obedecida. A liberdade de imprensa não opera como uma folha em branco ou como um sinal verde para violar as regras da sociedade”, afirmou Barbosa.
Na terceira parte de seu discurso, Joaquim Barbosa apresentou dois casos em que o Supremo Tribunal Federal teve que lidar com a liberdade de expressão e de imprensa. No primeiro, lembrou a a análise que o STF teve de fazer sobre a publicação de obras racistas contra judeus por parte de Siegfried Ellwanger. Neste caso, a corte avaliou que a proteção dos direitos do povo judeu deveria prevalecer em relação ao direito de publicar casos discriminatórios. Em seguida, falou sobre a lei de imprensa, que foi derrubada pelo Supremo por ser considerada em desacordo com a Constituição e extremamente opressora aos direitos de liberdade de expressão e de imprensa.
Antes de encerrar, porém, Barbosa fez questão de ressaltar que não estaria sendo sincero se não destacasse os problemas que via na mídia brasileira. Falando da ausência de diversidade racial, o ministro lembrou que embora pretos e mulatos correspondam à metade da população, é muito rara sua presença nos estúdios de televisão e nas posições de poder e liderança na maioria das emissoras. “Eles raramente são chamados para expressar suas posições e sua expertise, e de forma geral são tratados de forma estereotipada”, afirmou o ministro.
Avaliando a ausência de diversidade político-ideológica, Barbosa lembrou que há apenas três jornais de circulação nacional, “todos eles com tendência ao pensamento de direita”. Para ele, a ausência de pluralismo é uma ameaça ao direito das minorias. Barbosa finalizou suas observações sobre os problemas do sistema de comunicação destacando o problema da violência contra jornalistas. “Só neste ano foram assassinados quatro profissionais, todos eles trabalhando para pequenos veículos. Os casos de assassinatos são quase todos ligados a denúncias de corrupção ou de tráfico de drogas em âmbito local, e representam grave violação de direitos humanos”.
Em resposta a questionamentos do público, Barbosa lembrou um dos motivos da impunidade nos crimes contra a liberdade de imprensa é a disfuncionalidade do sistema judicial brasileira, que tem quatro níveis e “infinitas possibilidades de apelo”. Além disto, a justiça brasileira tem, na perspectivas de Barbosa, sistemas de proteção aos poderosos, que influenciam diretamente os juízes. “A justiça condena pobres e pretos, gente sem conexão. As pessoas são tratadas de forma diferente de acordo com seu status, cor de pele ou poder econômico”, concluiu Barbosa.
Na segunda parte, o ministro apresentou como o tema é tratado na Constituição de 1988, que pela primeira vez reservou um capítulo específico para a comunicação. Segundo Barbosa, no sistema legal brasileiro nenhum direito fundamental deve ser tratado como absoluto, mas sempre interpretado em completa harmonia com outros direitos, como privacidade, imagem pessoal e, citando textualmente o texto constitucional, “o respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família”. Nesse sentido, ressaltou o ministro, o sistema legal brasileiro relaciona a liberdade de expressão com a responsabilidade legal correspondente. “A lei se aplica a todos e deve ser obedecida. A liberdade de imprensa não opera como uma folha em branco ou como um sinal verde para violar as regras da sociedade”, afirmou Barbosa.
Na terceira parte de seu discurso, Joaquim Barbosa apresentou dois casos em que o Supremo Tribunal Federal teve que lidar com a liberdade de expressão e de imprensa. No primeiro, lembrou a a análise que o STF teve de fazer sobre a publicação de obras racistas contra judeus por parte de Siegfried Ellwanger. Neste caso, a corte avaliou que a proteção dos direitos do povo judeu deveria prevalecer em relação ao direito de publicar casos discriminatórios. Em seguida, falou sobre a lei de imprensa, que foi derrubada pelo Supremo por ser considerada em desacordo com a Constituição e extremamente opressora aos direitos de liberdade de expressão e de imprensa.
Antes de encerrar, porém, Barbosa fez questão de ressaltar que não estaria sendo sincero se não destacasse os problemas que via na mídia brasileira. Falando da ausência de diversidade racial, o ministro lembrou que embora pretos e mulatos correspondam à metade da população, é muito rara sua presença nos estúdios de televisão e nas posições de poder e liderança na maioria das emissoras. “Eles raramente são chamados para expressar suas posições e sua expertise, e de forma geral são tratados de forma estereotipada”, afirmou o ministro.
Avaliando a ausência de diversidade político-ideológica, Barbosa lembrou que há apenas três jornais de circulação nacional, “todos eles com tendência ao pensamento de direita”. Para ele, a ausência de pluralismo é uma ameaça ao direito das minorias. Barbosa finalizou suas observações sobre os problemas do sistema de comunicação destacando o problema da violência contra jornalistas. “Só neste ano foram assassinados quatro profissionais, todos eles trabalhando para pequenos veículos. Os casos de assassinatos são quase todos ligados a denúncias de corrupção ou de tráfico de drogas em âmbito local, e representam grave violação de direitos humanos”.
Em resposta a questionamentos do público, Barbosa lembrou um dos motivos da impunidade nos crimes contra a liberdade de imprensa é a disfuncionalidade do sistema judicial brasileira, que tem quatro níveis e “infinitas possibilidades de apelo”. Além disto, a justiça brasileira tem, na perspectivas de Barbosa, sistemas de proteção aos poderosos, que influenciam diretamente os juízes. “A justiça condena pobres e pretos, gente sem conexão. As pessoas são tratadas de forma diferente de acordo com seu status, cor de pele ou poder econômico”, concluiu Barbosa.
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